Órfãos do Android

Me deparei com um artigo muito interessante no excelente site theunderstatement.com. Nele o autor Michael Degusta apresenta um panorama bastante cruel sobre o suporte do sistema operacional Android aos seus usuários (especialmente no que diz respeito aos upgrades do SO).

Tomei a liberdade de referenciar um excelente gráfico que ele apresentou no seu artigo. O gráfico mostra, ao longo do tempo, em verde os celulares atualizados com a última versão disponível do SO (no caso iOS ou Android), em amarelo os que estão uma versão atrasados, em laranja os que estão duas versões atrasados e em vermelho os que estão 3 ou mais versões atrasados).

De fato, não é preciso ser um profundo conhecedor de Android para saber que existem aparelhos com as mais variadas versões do SO a venda. Uma rápida olhada no site de uma grande loja brasileira nos apresenta 41 aparelhos listados (em 09/12/2011): destes, 26,8% são vendidos com a versão 2.3 do Android, 44% são vendidos com a versão 2.2, outros 26,8% são vendidos com a versão 2.1 e 2,4% são (inacreditavelmente) vendidos com a versão 1.5!!!!

Isso não causa grande espanto, pois eu comprei o meu celular Sony Xperia X10 em março de 2011 e ele veio de fábrica com a versão 1.6 do Android.

A grande questão, como levantou Michael Degusta, é que mesmo os celulares mais recentes não possuem a última versão do SO (que no caso do Android é a 4.0). E mais: a grande maioria deles não terá a opção de upgrade disponibilizada pelos fabricantes!

Para os que não entendem muito a necessidade ou vantagem de um upgrade eu explico: correção de bugs, melhorias na interface com o usuário, facilidades para redução no consumo de bateria, novas funcionalidades e em muitos casos aumento de velocidade.

Então a possibilidade de upgrade não é apenas algo desejável pelos usuários mais avançados, é algo necessário e importante para qualquer usuário. Tempos atrás eu mesmo comentei num post aqui, sobre o grave problema de sincronização da agenda do Google com a do Android, que provoca alterações nos horários dos compromissos. Este é o tipo de bug que um upgrade do SO deve consertar (neste caso somente a versão 4.0 é que deverá providenciar isso).

Além disso, como lembra Michael Degusto, há a questão dos desenvolvedores: quando você está desenvolvendo uma nova aplicação precisa escolher qual a versão mínima do SO ela irá necessitar para rodar, isso porque cada nova versão inclui recursos não disponíveis na anterior. Se uma aplicação é escrita para rodar no Android 2.3 ela não poderá rodar em aparelhos que utilizem versões inferiores.

Assim, os desenvolvedores acabam tendo de deixar de lado os novos recursos disponibilizados pelo SO, de forma que suas aplicações possam ser executadas mesmo por aparelhos com versões mais antigas do Android.

Então qual a razão para estes upgrades não ocorreram na medida em que o Google disponibiliza novas versões do SO? A resposta para esta questão não é muito clara. Vou dar alguns palpites:

  1. Incompatibilidade de hardware: há muitos celulares e tablets que utilizam processadores relativamente lentos (digamos abaixo dos 600MHz), pouca memória e recursos gráficos limitados. Estas máquinas podem simplesmente não possuir a configuração mínima necessária para executar o SO de forma a permitir ao usuário uma experiência de utilização agradável. É claro que isso não explica a razão para que outros dispositivos, com processadores de 1GHz ou mais, estarem impedidos de receber tais atualizações;
  2. Linha de produtos muito extensa: qualquer fabricante de celulares (ok, menos a Apple), possui uma enorme linha de aparelhos, muitos deles provavelmente rodando Android. Esta enorme linha de aparelhos demanda então um enorme trabalho para que cada nova atualização do SO seja adaptada e testada em cada um dos aparelhos.

Não é preciso pensar muito para entender então o motivo da escassez de upgrades: os fabricantes têm custo com isso e não lucram absolutamente nada em fazê-lo! Quem “paga o pato” somos nós usuários que, ao comprar um aparelho Android, acreditamos que o fato de o SO ser do Google e de ser de código aberto, nos trará vantagens ou garantias.

Na verdade está parecendo ser o “calcanhar de Aquiles” do Android: novas versões que são lançadas, mas que não são disponibilizadas aos usuários. Vale lembrar que no caso dos iPhones, a atualização é feita diretamente pela Apple (o que claro é mais fácil, já que é ela quem fabrica o aparelho e o SO).

A solução para isso? Realmente a resposta é complicada. A quantidade cada vez maior de diferentes aparelhos sem dúvida é um desafio. Outro desafio é garantir que o aparelho continue funcionando corretamente após o upgrade.

Penso que a existência de um serviço de atualização automática do SO (como disponível no Windows e no Linux) permitiria ao menos que se solucionassem falhas e bugs básicos, mas tudo indica que as versões atualmente disponíveis não foram pensadas dessa forma…

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