Olá! Neste post eu vou falar um pouco sobre como foi a nossa viagem de mudança para o Canadá em 11 de abril de 2017!

Antes da Viagem

Os preparativos para a viagem começaram em Janeiro e incluíram:

  1. Visto de estudante para mim e visto de trabalho para a Débora;

  2. Compra de passagens aéreas e reserva para os nossos bichinhos (sim, nós viajamos com a Zara (uma Yorkshire) e a Flor (uma gata sem raça definida);

Como levar nossos bichinhos (na cabine) era uma condição praticamente indispensável para a viagem, a compra de passagens foi um pouco mais complicada, pois deu um certo trabalho conciliar os dois trechos (saída do sul para SP e de SP para Toronto), já que há um limite para o número de animais que podem ser transportados na cabine num mesmo voo.

A compra das passagens foi feita através da agência EventTour que após muita pesquisa conseguiu um voo LATAM saindo de Joinville no dia 11/04 às 8:53 com destino a Congonhas. De lá pegaríamos um translado para Guarulhos e o vôo direto para Toronto pela Air Canada saindo às 20:35 do mesmo dia. Após a compra das passagens (no final de Janeiro) eu imediatamente liguei para a Air Canada para efetuar o pagamento da tarifa pelo transporte de animais na cabine (US$ 100,00 por animal).

Ainda com relação aos animais, após a reserva e pagamento da taxa na Air Canada, nós também fomos a LATAM no aeroporto de Joinville para confirmar a reserva das duas no trecho nacional, pagar e verificar se as kennels que já havíamos comprado (conforme medidas da Air Canada) poderiam ser utilizadas na LATAM (segundo o site as medidas da LATAM são menores e uma das nossas kennels estava ligeiramente fora).

Kennels da Flor (esquerda) e Zara (direita)

Lá chegando descobrimos que na LATAM não há pagamento antecipado da reserva de animais e que as nossas kennels estavam dentro dos padrões da empresa (segundo um padrão de referência desenhado no chão da área de check-in). Ufa! Estávamos cogitando a hipótese de termos de utilizar kennels diferentes para os trechos nacional e internacional, menos mal!

Outra coisa importante antes de viajar com animais é verificar as regras para entrada de animais no país de destino: alguns países possuem restrições e inclusive quarentena! Além disso, raças de focinho curto não podem viajar na cabine! Também é necessário um certificado zoosanitário internacional (CZI) que é emitido pelo ministério da agricultura (MAPA). Para emissão do CZI é necessário que o animal (que deve ter mais de três meses de idade) esteja com a carteira de vacinação em dia (inclusive com os rótulos colados na mesma comprovando a vacinação) e possua um laudo médico veterinário recente (máximo de 3 dias, que no nosso caso foram emitidos pela nossa veterinária de confiança, a Jane Cardozo). Você deverá agendar uma visita a uma unidade do MAPA (normalmente encontradas nos aeroportos internacionais e portos), apresentar a documentação e posteriormente retirar o laudo (no aeroporto de Guarulhos o laudo fica pronto em até dois dias). No nosso caso fomos a unidade do MAPA no porto de São Francisco do Sul. Ao chegar ao país de destino os fiscais irão verificar tanto o CZI quanto a carteira de vacinação!

Com relação a bagagem, nós já tínhamos duas malas grandes e acabamos comprando mais duas sacolas extensíveis com rodinhas (que foram muito úteis) e duas sacolas de tecido (que acabamos nem utilizando). Adicionada a essas, também conseguimos com uma tia da Débora uma outra mala grande, o que totalizou 5 malas grandes (já que eu estava me programando para pagar por um excesso de bagagem). É um grande exercício de desapego uma mudança de país, nós deixamos muitas coisas para trás, eu doei muito material, livros, também vendi alguns equipamentos e a Débora também se desfez de muitas roupas e itens pessoais. Uma pequena parte (a que julgamos de maior importância) veio conosco e outra ficou guardada na casa da minha sogra!

Uma observação importante: num voo internacional partindo ou com destino ao Brasil, cada passageiro pode transportar até duas malas de 32kg cada (despachadas), mais uma mala de mão e um item pessoal, ambos até 10kg (na verdade a Air Canada não checa o peso das malas de mão). Se você comprar todos os trechos (o nacional e o internacional) num mesmo bilhete, então este limite vale para o trecho nacional, caso contrário você estará sujeito ao limite nacional (normalmente apenas uma mala de 23kg despachada e outra mala de mão até 6kg). Além disso, o excesso de bagagem funciona diferente: no caso de um bilhete com trecho nacional e internacional o excesso de bagagem é calculado por volume adicional (até 3 volumes por passageiro), caso contrário, o excesso é cobrado por kg adicional (no trecho nacional) e por volume (trecho internacional)!

No caso de transporte de animais na cabine, cada passageiro pode levar apenas um animal e o mesmo substitui um dos itens de mão, ou seja, ao transportar um animal na cabine você paga mais caro e acaba levando menos malas!

Ainda sobre a bagagem, tenha em mente que as bagagens despachadas possuem limitações tanto de peso (até 32kg) quanto de tamanho (158cm somando-se largura, altura e comprimento). Acima disso você terá de pagar excesso de bagagem! Mas não é só isso, bagagens muito pesadas (acima de 45kg se não estou enganado) sequer podem ser despachadas! Uma dica importante é comprar uma balança de bagagens e verificar o peso de todas as suas malas! No nosso caso, todas elas foram arrumadas de forma a ficar ligeiramente abaixo de 32kg (cerca de 31kg) pois considerei que haveria um erro na medição. No check-in o erro da balança se confirmou e todas elas estavam pŕoximas ou exatamente com 32kg!

Chegou a Hora!

Na noite anterior ao embarque, antes de dormir, nós tiramos a comida e água da Flor e da Zara. É triste, mas elas não morrem de fome ou sede se ficarem privadas por um dia. Na manhã do embarque foi uma correria. Tentamos dar um remédio evitar enjoo para a Zara (chamado Cerenia, receitado veterinária), mas foi muito difícil (ela é terrível para tomar remédio), logo depois chegou o meu irmão (Luiz Fernando) que nos deu carona até o aeroporto. A Flor (gata) e a Zara (cachorra) já foram dentro das kennels, mas durante o deslocamento a Zara já passou mal e vomitou. Ao chegarmos ao aeroporto e desembarcar tudo (5 x 32kg de malas, mais duas malas de mão de 10kg, mais duas kennels) a Débora foi dar um jeito de limpar a Zara. Felizmente nós forramos as kennels com fraldas descartáveis e próprias para este fim (e levamos mais fraldas e toalha para elas na bagagem de mão).

Após a tensão do check-in (e pesagem da bagagem despachada) eu fui até o balcão para efetuar o pagamento do excesso de bagagem (US$ 150,00) e também para pagar pelo transporte da Flor e Zara no trecho nacional. Porém acabei descobrindo que não precisaria pagar novamente pelos animais, pois já havia pago para a Air Canada (lembre-se de guardar o comprovante de pagamento da taxa e levar o email da Air Canada com a confirmação da reserva). Melhor assim!

Ahh, antes que eu esqueça: não é permitido o embarque de animais sedados! Eles devem estar atentos e sequer podem estar dormindo!

Após as despedidas e choradeiras (não podia ser diferente), partimos rumo a Congonhas!

Eu, Débora e Zara (a Flor estava na kennel no chão)

Os Voos

A primeiro trecho (de Joinville para Congonhas) foi muito tranquilo, nem poderia ser diferente, pois é muito rápido e em apenas uma hora já estávamos em São Paulo. Para a nossa surpresa, nem Zara nem Flor incomodaram. A Zara veio bem e não enjoou (não sei se porque o avião chacoalha menos que o carro ou porque o remédio fez efeito), a Flor veio quietinha.

Após o pouso e pegarmos as malas, fomos atrás do translado para Guarulhos, tivemos de esperar um pouco, mas depois embarcamos no ônibus e fomos com tranquilidade. Novamente a Zara não enjoou, acredito que tenha sido efeito do remédio já.

Ao chegarmos a Guarulhos procuramos um local para uma refeição rápida e acabamos indo no Rei do Mate, em seguida iniciou a espera pelo voo da Air Canada. Durante as horas de espera (que até passaram relativamente rápido) a Débora foi passear duas vezes com a Zara (que inclusive fez suas necessidades lá por fora). A Flor infelizmente não podia sair da kennel, mas eu cheguei a abrir uma vez e ela deu uma espiada, mas como qualquer gato, ficou com receio de sair.

Enfim chegou o momento do check-in, que correu tudo bem, apresentei o comprovante de pagamento de excesso de bagagem da LATAM e não precisei pagar novamente na Air Canada, despachamos as malas, passamos pelo raio-X (que tanto em Joinville como em SP foram tranquilos, mesmo tendo de tirar a Flor da kennel e passar com ela no colo) e ficamos aguardando perto do portão de embarque.

Durante o voo, nas primeiras horas estava tudo relativamente tranquilo, mas então a Flor começou a tentar forçar a kennel para fugir. A porta da kennel é fechada com ziper e a danada descobriu que ela conseguia forçar o ziper e fazê-lo abrir, quando eu percebi isso dei um jeito de travar o ziper, mas ainda existia uma pequena folga e o resultado disso foi que, durante a madrugada a Flor fugiu da kennel!

Felizmente ela estava usando um peitoral com uma guia presa ao mesmo, então quando eu senti o movimento nos meus pés (os bichos devem vir acomodados junto aos seus pés) eu olhei e consegui segurar a ponta da guia! Felizmente eu a puxei de volta e consegui colocá-la novamente na kennel. Dali em diante coloquei a kennel no meu colo e vim a viagem toda segurando o ziper e lutando contra as investidas de fuga dela! Felizmente a comissária de bordo entendeu a situação (após eu explicar) e fez vista grossa sobre a kennel no meu colo (era isso ou ter uma gata solta no avião!). Moral da história: não dormi, mas assisti três filmes e acompanhei o 787 no mapa passando por muitos lugares! Também por conta disso não tomei café da manhã no avião…

Chegada em Toronto e Translado para Kitchener

O pouso foi muito tranquilo e após passarmos pela imigração (o que foi super rápido) fomos encaminhados até os oficiais de fronteira, que fazem a emissão (ou não) do visto de entrada de estudante, trabalho, etc. Ao chegar a nossa vez, o oficial solicitou o comprovante de que paguei o College e a carta de aceitação… Ninguém havia me dito que eu deveria levar estes documentos impressos e para piorar, eu nem tinha o comprovante de pagamento integral do College (eu solicitei para a empresa que fez a intermediação mas não recebi). Moral da história, lá fui eu achar tentar conectar na internet e achar algum documento que pudesse provar o que o oficial pedia. Por sorte eu tinha um documento do College em um email no celular e foi o que bastou para a emissão dos nossos vistos! Então fica a dica: na entrada eles vão pedir os comprovantes de que a instituição de ensino o aceitou e que você pagou pelos estudos!

Após estes momentos iniciais de tensão fomos apanhar as malas e depois partimos para a fiscalização aduaneira onde então fizemos os procedimentos de entrada da Flor e da Zara. Tudo foi muito tranquilo, o oficial mal olhou para o CZI, mas verificou as vacinas das duas, fez inspeção visual (com elas dentro das kennels) e em seguida emitiu uma guia para o pagamento da taxa de entradas das mesmas (eu achei que seria C$ 30,00 por animal, mas é C$ 30,00 para o primeiro e C$ 5,00 para os demais).

Após isso e utilizando o WiFi gratuito disponível no aeroporto Pearson de Toronto, nós entramos em contato via whatsapp com o Erik Iverton, um brasileiro que mora em Kitchener e com o qual combinamos o translado para Kitchener. O Erik é um cara sensacional, mora há mais de cinco anos em Kitchener e eu recomendo os seus serviços.

Após cerca de uma hora nós chegamos ao nosso destino, mas isso é tema de outro post, até mais!

A viagem para o Canadá
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